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23/04/2008 - NetMarinha

Syndarma critica Custo Brasil para navegação

O presidente do Syndarma, Hugo Figueiredo, afirma que dois altos custos afetam a navegação brasileira, praticamente inviabilizando sua operação no mercado externo. "O Brasil não tem mais porta-containeres na área internacional. Além disso, os graneleiros secos estão quase que devotados à cabotagem, com viagens esporádicas ao exterior", disse. Em relação a granéis líquidos, a Petrobras/Transpetro, por ser estatal, pode mesclar seus custos com os de outros produtos, mas, mesmo assim, dedica-se basicamente ao mercado interno ( cabotagem).

O primeiro custo a que Hugo se refere é o de operação dos navios, que já foi de 30% acima dos concorrentes mais eficientes e hoje atinge o dobro, em função de alta do real, elevação de custos internos e desvalorização do dólar. O segundo custo é o da construção naval.

Mesmo com os benefícios do adicional de fretes e juros baixos do Fundo de Marinha Mercante, o custo final de um navio feito no Brasil é superior ao dos concorrentes -frisa Hugo, salientando que, também aí, houve influência das mudanças cambiais, com o real valorizado dificultando os estaleiros a apresentarem níveis competitivos. O sistema atual beneficia mais navios porta-containeres do que graneleiros, pois o frete do porta-container é maior e, assim, a parcela de subsídio ao armador se torna mais ampla. O frete de granéis é no sistema Free In & Out Stowage, ou seja, computa-se apenas o frete simples, quando em porta-containeres o valor levado em conta engloba outros itens.

Outro item que preocupa a navegação é a falta de vagas nos estaleiros, ocupados por barcos de apoio, plataformas e encomendas já confirmadas, como as da Log-In, de cinco navios no estaleiro Eisa.
Mesmo diante de preços altos, Hugo cita que, além da Log-In há perspectivas de encomendas na cabotagem de Norsul, Elcano, Pan Coast e Flumar ( do grupo Odfjel), entre outros.


DÍVIDA
Segundo Hugo Figueiredo, a dívida da União para com armadores - por conta do ressarcimento às empresas, conforme detemina a lei 9432 - já atinge R$ 300 milhões. "Foi feito um pequeno pagamento ao fim de 2007, mas sem muita relevância e sem continuidade. É inadmissível que uma dívida sem contestação não seja paga pelo Governo brasileiro".


NÍVEL DE RIOS
O gerente de regulação da Navegação Interior da Agência Nacional de Transportes Aquaviários ( Antaq), Adalberto Tokarski, manifestou 'a Agência Nacional de Ãguas (ANA) e ao Operador Nacional do Sistema (ONS), preocupação com o nível de água dos rios, a partir de decisões de Itaipu Binacional. Isso tem efeito sobre a hidrovia Tietê-Paraná.

Enquanto isso, há um verdadeiro bloqueio da mídia em relação a um tema importantíssimo, que é a construção, sem eclusas - inviabilizando a navegação - das duas hidrelétricas no Rio Madeira. Cadê os ecologistas.


DEFENSIVOS
Em nota oficial, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (defensivos agrícolas) comenta as dificuldades enfrentadas pelo setor nos procedimentos de importação de compostos para manufatura. Segundo o texto, o sucateamento da infra-estrutura portuária e o reduzido número de funcionários alfandegários, além das constantes greves de funcionários públicos federais, têm trazido transtornos ao mercado de defensivos no País.

Diante disso, o Sindag propôs ao Governo Federal, com o apoio da Fiesp, os projetos Linha Verde e Simprimex, entre outros, que visam a melhor gestão dos portos, aeroportos e fronteiras. As propostas, encaminhadas via Comitê de Clientes da Superintendência Federal da Agricultura do Estado de São Paulo, estão sendo analisadas e abrangem desde a adoção de recursos tecnológicos até a contratação de funcionários mantidos pela iniciativa privada, via Fundepag. Também seria bom que houvesse racionalidade na longa greve dos auditores fiscais.


AÇO IMPORTADO
O Brasil é um dos gigantes mundiais do aço. Mesmo assim, as usinas não se sentem inibidas de se recusar a baixar os preços para os estaleiros. A estatal Transpetro e a privada Log In anunciam importações de aço e o Instituto Brasileiro de Siderurgia reage sem emoção, considerando o tema apenas econômico, quando há um importante aspecto político em jogo. As usinas têm lucro, mas estão o jogo no aspecto político. Que um dia será cobrado do setor .


NACIONALIZAÇÃO
Duas informações da publicação Relatório Reservado - que procura veicular notícias desconhecidas da grande imprensa. A primeira é a de que a Transpetro estaria negociando aumento de importação de peças, para redução do preço final dos navios de sua primeira fase de encomenda. O preço da primeira fase - 26 navios - é de US$ 2,48 bilhões e já leva em conta importação de aço.

Outra informação é a de que começa articulação, no Congresso, para dificultar a operação dos navios de turismo. Há diversas acusações sobre os transatlânticos: retiram gente dos hotéis; aproveitam-se de eventos pagos por hoteleiros - como o reveillón do Rio - e dificilmente teriam condições de cumprir a legislação sobre despejo de dejetos na costa brasileira. Pretende-se não só limitar o número de passageiros dos cruzeiros, como ainda cobrar taxa dos que subirem a bordo, para dar suporte à rede de hotéis.



 



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